A difícil jornada da realização pessoal em um mundo em constante mudança.

Se Deus é amoroso e pessoal e eu o amo, Ele deve desejar que eu seja uma pessoa realizada, não é verdade?

Realização pessoal é um grande dilema do cristianismo. Alguns afirmam que tudo o que desejarem, Deus dará. Outros criaram um sistema protestante Franciscano onde não posso desejar nada para mim mesmo. Outros ainda, um sistema hipócrita afirmando que viver para si mesmo é egoísmo, embora acordem toda manhã numa busca pela própria felicidade. Qual o equilíbrio entre tudo isso em um mundo que está em constante mudança? E como a Trindade nos orienta sobre o desejo de realização pessoal?

Realização da Trindade

Não podemos cair no erro de crer que Deus precisa de nós. Ao longo das Escrituras nenhum verso orienta a esse pensamento, muito pelo contrário, a Bíblia fala da necessidade do homem do amparo e cuidado de Deus. No entanto, as Escrituras dizem que aquele que tem fé agrada a Deus: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). E elas também dizem que o Senhor se alegra: “A alegria do Senhor os fortalecerá” (Ne 8.10). Obviamente essas antropopatias (figura de linguagem que atribui um sentimento humano a Deus) são maneiras de expressar, de forma limitada, a satisfação que Deus tem no homem que segue o Seu plano.

O plano de Deus para este mundo é que passado, presente e futuro apontem para Cristo, e assim, nós possamos conhecer completamente as três pessoas da Trindade. O mistério da Sua vontade foi manifesto em Efésios 1.10a: “isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas”.  O Espírito Santo nos revela esse mistério: “mas Deus o revelou a nós por meio do Espírito” (1 Co 2.10a). E o Filho afirma que Ele é o caminho até o Pai: “Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” (João 14.6b). Em última instância, o Pai é a última figura a ser encontrada por aquele que não crê e é inacessível sem o lavar regenerador do sangue do Filho e sem a ação do Espírito Santo.

Quando, porém, esse encontro acontece por meio da fé, seu plano é concretizado e Ele se agrada. De certa forma, isso nos permite dizer que ao agradarmos a Deus completamos os seus planos pessoais. Então, não no sentido que usualmente pensamos sobre realização pessoal, Deus se realiza pela satisfação que o homem encontra no relacionamento com Ele. Ele não precisa desta realização – Ele possui tudo o que precisa nEle mesmo. Sua realização completa já existe ali, mas Ele se alegra e se agrada no concretizar de seus planos.

Existencialismo Moderno

Vivemos em um tempo existencialista. O existencialismo afirma que o homem existe e age por sua própria conta e risco. Que na medida em que existir, descobrirá a sua maneira de realização pessoal. A insanidade deste pensamento encontra-se em buscar um propósito único num mundo inconstante. Ao longo do tempo, isto será enlouquecedor. Este propósito ficará alternando constantemente com as mudanças do mundo.

Muitos vivem um existencialismo cristão, buscando descobrir em si mesmos ou em suas atividades o seu motivo de realização. Como cristão você não é chamado para encontrar satisfação em seu trabalho, mas trabalhar sem satisfação, e chamar isso de vontade de Deus, seria macular a Sua vontade.

Deus nos chamou para encontrar realização fazendo a Sua vontade o tempo todo, em tudo o que fazemos. Trabalhe para o Senhor em qualquer empresa deste planeta e aí sim encontrará realização.

Pergunte para algum grande homem ou mulher de Deus, no final da sua vida, se ele se sentiu realizado pessoalmente. Eu creio que a grande maioria falará que sim. No entanto, eles andaram tão perto de Deus que seus anseios de realização pessoal foram permeados pela Sua vontade. Somos criados para nos realizar pessoalmente na vontade de Deus.

Por isso, a característica da semana para aquele que adota uma cosmovisão trinitariana é:

Entende que compreender a Deus define: porque existe, quem deve ser como indivíduo e como pode se realizar – em contraponto ao existencialismo.


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