A Trindade nos orientando em meio às dificuldades & um pouco do Uruguai

Existem determinadas situações em que você adquire a certeza em Deus de que deve fazer algo diferente ou novo. Mas quando esses novos projetos começam, logo vem as dificuldades e o desânimo. Como Deus nos orienta nessas situações? Depois de um tempo, voltamos a “trinitariar” com um misto de nossas experiências iniciais no Uruguai. Como a doutrina da Trindade nos orienta em meio às dificuldades de mudar?

A Trindade e às dificuldades nas mudanças

Você provavelmente vive ou já viveu o mesmo quando iniciou algo novo ou buscou mudar algo. O que vivemos neste primeiro mês no Uruguai é um misto de alegria e euforia com tristeza e dúvidas. 

E como a Trindade nos fornece os absolutos necessários para nos mantermos nos caminhos e propósitos dEle e suportarmos as dificuldades de novos projetos ou recomeços? 

Penso que muitas vezes projetos novos passam por 4 etapas logo no seu início, isso já aconteceu conosco em outras situações e vivemos esse ciclo novamente agora. 

1º Otimismo exacerbado – “Nada vai me impedir”

Chegamos no Uruguai em uma Brasília 78, confiando em Deus e tendo certeza de que tudo iria dar certo. Ninguém vai para outro país em um carro antigo se não pensar assim. O mesmo acontece com você depois de um culto, uma devocional, um aconselhamento – essa certeza não procede de você, ela é divina. No entanto, frequentemente distorcemos essa certeza divina achando que se Deus está conosco não teremos nenhuma dificuldade. Uma distorção do texto que diz: “Se Deus é por nós quem será contra nós?” (Rm 8.31b), perceba a diferença. Sabíamos que teríamos dificuldades, mas na hora que elas chegam é diferente.

2º Encarando a realidade – “Não vai ser tão fácil assim”

Logo que chegamos, começamos a ver a burocracia, como o real vale pouco aqui, as grandes dificuldades com a língua e as barreiras culturais. As cortinas do palco da realidade foram abertas e nos deparamos com problemas. A nossa grande dificuldade é viver um ideal do reino de Deus em um mundo caído. Nós somos românticos e apaixonados por Deus, mas vivemos em um mundo mau – esta é a triste realidade que todo o cristão vive. Cuidado com o que acontece na sequência.

3º Pessimismo exacerbado – “Tudo vai me impedir”

Entramos no terceiro estágio do ciclo logo depois de 10 dias no Uruguai. Não vamos conseguir, temos 37 anos, um filho de 2 anos, não falamos direito a língua, não temos recursos suficientes e começamos a pensar: “quem vai querer vir até aqui para compôr equipe conosco com tantas dificuldades?”. Tudo fica maior do que é, ficamos sensíveis e sinceramente muitas vezes procuramos uma boa desculpa para desistir.

4º O real início – “Desistir e pagar o preço”.

Eis então o estágio onde nos encontramos. E aqui as nossas crenças sobre quem Deus é farão toda a diferença. Gosto de pensar que a partir daqui tudo inicia mesmo, mas para isso precisamos desistir e pagar o preço. Deixe-me explicar porque acredito que para continuar precisamos desistir.

Neste momento preciso citar dois teólogos que muitas vezes não são fidedignos com a Palavra na sua totalidade, mas que nestas duas citações foram bem coerentes com ela. 

“A fé na Santíssima Trindade é um corretivo aos desvios e uma poderosa inspiração para o bem viver no mundo e nas igrejas”¹. Se a sua decisão está baseada em algo que não é bíblico, desista todas as vezes. Mas se a sua decisão é coerente com a Palavra, persevere em meio às dificuldades. A Trindade nos inspira e nos livra de desvios. 

Devemos lembrar que ao criar a humanidade Deus criou algo além de si mesmo e humilhou-se para que nós tivéssemos a oportunidade de viver com Ele. De fato, a encarnação e a Cruz são Deus se humilhando, mas isso foi predito antes mesmo da criação. Então a criação é a humilhação de Deus. 

Assim, o segundo teólogo expõe: “baseando nesses elementos, (uso da liberdade por parte de Deus), elabora-se uma reflexão sobre a liberdade no reino do triúno Deus, onde a fraternidade constitui a liberdade do Reino”².

Para perseverarmos em meio às dificuldades e desânimos, somente as ações de Deus podem nos inspirar de forma permanente. E a Trindade nos ensina a viver por amor a algo além de si mesmo. 

Para perseverarmos precisamos desistir e morrer para nós mesmos. Perseverar é retroceder, pelo menos quando tratamos de perseverar em uma ideia que não é nossa, desistindo de nossas próprias ideias. 

Por isso, a característica da semana para aquele que adota uma cosmovisão trinitariana é:

Entende que a missão da reconciliação do homem com Deus é central, imitando a atitude de Deus na história. Versus o relativismo das ideias de um homem mutável.

¹ BOFF, Leonardo. A Trindade é a melhor comunidade, p.35
² MOLTMANN, J. Trinitãt und Reich Gottes, p. 237


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