O custo para o jovem viver em liberdade em uma sociedade erotizada

Uma sociedade voltada ao consumo, tem o sexo como maximizador de vendas. Qual o custo para o jovem viver em liberdade em uma sociedade erotizada?

Há cerca de 17 anos sou líder de jovens. Converso semanalmente com eles, aconselhando e mentoreando, e certamente o tema que mais tratei, conversei e que gera mais desânimo, são os pecados na área sexual.

Todavia as vezes que falei em público sobre isso, vi olhos se encherem de lágrimas, jovens tristes, desanimados e muitas vezes se sentindo os piores seres da face da terra. A certeza que quase sempre encontro é: “é impossível ser santo nessa área”. E estou falando de pessoas comprometidas e que amam a Jesus. 

A grande maioria dos jovens luta com isso. Se você procurar pesquisas na internet, encontrará números alarmantes sobre pornografia, por exemplo:

  • A média de exposição inicial à pornografia é de apenas 11 anos;
  • 56% dos casos de divórcio nos EUA envolveu uma pessoa com interesse obsessivo em sites pornográficos (ano de 2011);
  • 17% das mulheres americanas afirmam que lutam com o vício em pornografia;
  • Em 2016, 64% dos jovens americanos entrevistados em uma pesquisa afirmaram procurar pornografia semanalmente ou com maior frequência.

Desafio você a pensar sobre três coisas que estão relacionadas ao custo para o jovem viver em liberdade em uma sociedade erotizada

  • Como a Trindade orienta sobre as práticas sexuais
  • O que é o ideal de Deus sobre este assunto
  • Como lidar com atitudes que não são coerentes com o ideal de Deus

Como a Trindade orienta sobre as práticas sexuais

Deus tem um plano muito interessante para o sexo. Ele criou o casamento fundamentado na ação sexual. E Ele criou o casamento para explicar quem Ele é. 

Em Gn 2, ele amplia a união do homem e mulher vista no capítulo 1, e fala a famosa frase no verso 24: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.” A palavra “uma só”, em hebraico, é a mesma que ele vai usar mais a frente, traduzida como “único”, em Deuteronômio 6.4  “O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.”

Então Ele cria homem e mulher e institui um relacionamento diferenciado entre eles por meio do casamento, implementado de fato, pelo ato sexual, onde ambos se tornam uma só carne.

Deus não está criando o casamento, um projeto especial – Ele está criando uma maneira única de explicar quem é. “Único” agora é um ser que suporta mais de uma pessoa. Duas pessoas – uma única carne, uma ligação espiritual. 

Agora todo judeu, ao pensar sobre Deus, poderia entender que Ele é um ser que comporta mais de um. Obviamente isto não está tão claro no Antigo Testamento, mas é a base para o entendimento trinitário do Novo. 

O casamento é uma forma mais tangível de explicar Deus. Não estou sexualizando a Trindade, mas trazendo a tona o propósito do sexo na criação de uma comunidade que deve espelhar o Trino Deus.

Como Deus orienta sobre as práticas sexuais

Sem dúvida, à luz do argumento anterior, o sexo é algo único no plano de Deus. Paulo ressalta que as atividades sexuais deturpadas são vistas de maneira diferenciada. Leia 1 Coríntios 6.18: Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo.” Os pecados na área sexual são os únicos que envolvem imaterial (alma) e material (corpo). Não estou dizendo que são maiores que os outros, mas são os únicos que são efetivados integralmente no que tange a existência humana.

Muitos discutem o que é imoralidade sexual. Creio ser muito simples à luz da análise do vocábulo no NT, principalmente pela perspectiva Paulina. Ao longo de suas cartas, ele constrói uma perspectiva de santidade sexual existente somente no casamento. Assim, todos os atos sexuais realizados a parte do casamento são imorais. Li muitos livros tentando justificar a masturbação, por exemplo, e percebo muita racionalização e uma dificuldade tremenda de construir essa ideia fundamentada no NT.

Deus deseja o desenvolvimento correto de seus filhos na área sexual, tanto quanto em qualquer outra área, sendo o casamento, o único ambiente possível para isso. Ele tem um plano para cada indivíduo espelhar quem Ele é. E se casamento é parte deste plano para a humanidade, sexo, obviamente também é, mas ambos não tem fim em si mesmo.

Como lidar com atitudes que não são coerentes com o ideal de Deus

Se você chegou até aqui, espero que esteja curioso sobre como lidar com isso, como enfrentar seu pecado ou auxiliar outros a vencê-lo. Se me permite, gostaria de contar um testemunho pessoal.

Eu vivi a minha juventude de maneira muito devassa, fiz coisas que me arrependo e  me envergonho. Eu abandonei tudo isso, mas ainda hoje sinto os reflexos destes atos. Me parece que algumas coisas que fazemos não tem cura, pelo menos neste mundo, somente contenção de danos. Isso não quer dizer que eu pratique tais coisas hoje, mas que luto para não praticar.

Paralelo a isso, eu trabalhei como voluntário na cracolândia em viagens curtas quase todos os anos de 2002 a 2018. Nunca vi nenhum viciado vencer a luta contra as drogas naquele ambiente. Eles mudavam, negavam quem eram e iniciavam uma nova vida, fora dali. Eu vi Deus mudar muitas vidas de pessoas entregues a todo tipo de droga neste tempo, mas na verdade eram poucas, se comparados ao número total de usuários daquele lugar.

Agora junte as duas histórias. Eu nunca mais voltei a alguns ambientes, talvez pudesse hoje em dia, mas para que voltar? Para que trazer à tona os desejos imorais de outrora? Um viciado deve ter muito cuidado com os ambientes em que praticou o vício.

O custo para o jovem viver em liberdade em uma sociedade erotizada

O que Jesus fala em Mateus 5.29 é sobre abrir mão do direito de ter algo quando aquilo te conduz ao pecado. Ele não está falando literalmente de arrancar o olho, mas de abrir mãos de direitos. “Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno.” 

Infelizmente, conheço poucos jovens que conseguiram lidar e vencer os desafios da masturbação, relacionamentos casuais, pornografia, sexo antes do casamento, adultério e tantos outros. Ao mesmo tempo, conheço poucos jovens que decidiram não usar mais internet sem supervisão, não ficar mais sozinho com o namorado ou namorada, abandonar séries que falam ou estimulam de alguma forma o sexo e outras tantas atitudes que poderiam ser esse “arrancar e lançar fora”.

Muitos talvez diriam: “mas fazer tudo isso não muda o coração”. É claro que não. Lembre-se que nosso coração é doente e não terá cura neste mundo. “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável.” Jeremias 17.9. Deus não vai nos dar um novo coração, pelo menos neste tempo, mas Ele quer transformar esse que já temos, cabe a nós abrir mão de “direitos” e repensar tudo, o tempo todo.

Aquele que adota a cosmovisão trinitária deveria buscar a pureza sexual, não se perdendo em paixões. Entendendo que elas não estão acima da razão e que a luta diária da santificação está muito relacionada a abrir mão da liberdade escravizadora do nosso tempo.

O custo para o jovem viver em liberdade em uma sociedade erotizada


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