Qual a postura do cristão em meio a uma polêmica?

Depois de mais um ano de polêmicas, diga-se de passagem – como sempre, cuja a cereja do bolo foi o vídeo do Porta dos Fundos, fico pensando, qual a postura do cristão em meio a uma polêmica? 

No caso de Porta dos Fundos, alguns esbravejaram, outros tentaram fazer diferença, por exemplo com abaixo assinado ou cancelamento da conta, e alguns todavia, preferiram calar-se. 

Como Deus orienta neste tema?

As pessoas que não creem, são inimigos de Deus, assim como os que creem foram um dia: “Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho” Romanos 5:10a

Todavia, nas Escrituras não encontrará que o cristão é inimigo do não cristão.

1ª Orientação: não trate quem não concorda com você como inimigo

Não nos cabe o ministério da guerra, mas o da reconciliação. 1 Co 5.18 “Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” 

Esta guerra não é nossa, pelo menos não em primeira instância. O não cristão não é nosso inimigo, mas de Deus. A tarefa do cristão é apontar o erro de todo aquele que opta pelo pecado. Sem ar de superioridade, de maneira reconciliatória e não só profética. Jesus reconciliou, promulgou paz, foi humilde, profetizou contra o pecado e contra os falsos mestres. Nosso chamado é para imitação com a mesma santidade. 

Devemos lembrar que, sim, temos um chamado mais evidente para uma luta mais ferrenha contra falsos mestres, como no livro de Judas por exemplo, todavia, devemos lembrar que estes estão dentro da igreja, não fora.

2ª Orientação: até que ponto eu estou espelhando a Deus com minha atitude neste conflito

Deus é amor. Inclusive por causa disso, mesmo que o não cristão seja meu inimigo, por não crer no que creio e ter atitudes de quem não crê, Jesus nos indicou, no Sermão do Monte, que devemos amar nossos inimigos.

O que é amar em meio a um conflito? Creio que envolve replicar o Trino Deus, que abre mão de direitos, em prol do outro.

A Trindade e seus direitos

Se alguém tem o direito de ter algum direito, é Aquele que fez todas as coisas. Atente para o fato de Deus ter sido todo-inclusivo (conceito de Tertuliano 210 a.C., “Antes de todas as coisas Deus estava sozinho, sendo ele seu próprio universo, lugar e tudo. Mas ele somente estava sozinho no sentido que não havia nada externo de si mesmo”.) e autossuficiente. DIgo ter sido, porque apesar de continuar sendo autossuficiente, ou seja, de não depender de nada além dEle mesmo para existir, Ele não é mais todo-inclusivo. Para que continuasse a ser todo-inclusivo, ele nunca poderia ter criado algo além de si mesmo, por que ser assim incluí que todas as coisas estão em si só, mas se algo existe além de sim mesmo, todas as coisas não estão incluídas. Isso não quer dizer que Deus dependa da sua criação, por isso ele continua como autossuficiente. 

Amor para Deus

Quando Deus nos cria, Ele nos ensina um dos alicerces do que é amor. Abrir mão de direitos. Ele abre mão de ser todo-inclusivo simplesmente porque existe algo além de si mesmo. E para que possa se relacionar com alguém que não é igual a Ele, novamente abre mão de direitos. Ele reduz quem Ele é para que a criatura possa compreender.

Mas não pense que para por aí. Quando a criatura o nega, busca seus próprios direitos e se acha no direito de ser igual a Ele, Ele se humilha e assume a forma da criatura. Abre mão da sua forma gloriosa para que a criatura possa ter o único direito da qual não deveria ter aberto mão. O direito que já era adquirido de conhecer e se relacionar com o Triúno Deus. 

Então a expressão de amor de Deus para conosco não se dá só ao abrir mão de direitos e se limitar. Vai além disso. Ele abre mão de direitos para que haja restituição dos direitos menosprezados por sua criatura, mas que Ele sabe que a criatura precisa.

Assim, replicar a Deus em meio a um conflito envolve abrir mão de direitos e humilhar-se se necessário, para encontrar reconciliação. Todavia, não posso ter paz com o outro à custa de abrir mão da minha paz para com Deus. Mas sim, à custa do meu orgulho, direitos e opinião pessoal. A busca pelo equilíbrio em situações críticas é uma tarefa central para o cristão.

Qual a postura do cristão em meio a uma polêmica?

O deus deste tempo não faria o que o Deus Trino fez: Ele abriu mão de direitos para que sua criatura pudesse fazer, não o que quer, mas, o que é bom para ela. Para que assim tenha uma vida próspera, segundo Aquele que criou todas as coisas e sabe de todas as coisas. Deus é amor e por isso instrui o homem ao que é bom. Deus é amor porque abre mão de direitos e nos chama a fazer o mesmo. O cristão não é chamado para ter razão, mas sim, para promover paz sem “rasgar” a Palavra de Deus. 

Tem que existir equilíbrio, mesmo no caos atual. O ambiente é caótico e promove guerras? O equilíbrio é Deus por meio de cada cristão. Replicar a imagem de Deus neste mundo me transforma num promotor de paz, e paz não é um estado de espírito, mas a falta de inimizade entre um indivíduo e Deus. 

Aquele que adota a cosmovisão trinitariana deve abrir mão de direitos para não perder o seu principal direito, como Adão e Eva, de estar na presença de Deus. Assim, entende que amor tem mais a ver com a Cruz e se torna um promotor de Paz, como Jesus, sem ar de superioridade, de maneira reconciliatória e não só profética.

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